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Computação e Mercado de Trabalho
de Redação | Terça, 20 de Maio de 2008
Profissões ligadas à computação e informática estão entre as mais disputadas nos vestibulares. No entanto, o glamour que povoa o imaginário da maioria dos candidatos carece de vocação
Luiz Henrique Quemel
Especial para o Se Liga Aqui
Não é fácil ter 17 anos, principalmente quando a idade coincide com o 3º ano do Ensino Médio. E neste momento em que se aproxima o vestibular, que os jovens devem optar por uma profissão. Alguns confundem aptidão com vocação, o que torna mais difícil ainda o caminho. “Paso (sic!) o dia inteiro na frente do computador, não sei o que quero cursar, mas vai ser algo em tecnologia”, diz Phanter, participante de um fórum de informática.
Com um português sofrível, cursando ainda o Ensino Médio e tendo entre 14 e 17 anos, é esse o perfil da maior parte dos aspirantes aos cursos de computação e informática. Alguns não sabem nem diferenciar uma da outra. Identificam apenas o glamour do mercado de trabalho em tecnologia da informação. Falta-lhes muita informação e principalmente orientação vocacional. Foi pensando nesse grande mercado dos indecisos que a Universidade Católica de Brasília (UCB) criou o Programa de Orientação Vocacional (POP). Durante seis sábados os inscritos participam de várias oficinas que buscam orientar os candidatos quanto a melhor escolha profissional. Em abril foi realizada a 1ª Semana POP, onde cerca de 4 mil alunos de várias escolas, entre públicas e privadas, puderam conhecer no campus I em Taguatinga os cursos que a entidade oferece. A iniciativa teve como guias os próprios alunos de graduação.
“Acho a semana bem bacana porque temos quase a mesma linguagem dos alunos que estão chegando e por isso a comunicação se tornar melhor”, sentencia Odára Umbelino, estudante do curso de Sistemas de Informação que recebeu um grupo de alunos. Quanto aos salários, a desinformação é de ambos os lados, pois a monitora acredita que remunerações de cerca de 10 mil reais é apenas para quem possue mais de 20 anos de experiência. No entanto, um perito criminal da Polícia Federal, área de Computação Científica, recebe um salário inicial de R$ 11 mil.
A iniciativa de marketing foi aprovada pela Orientadora educacional do Colégio Certo, Alice Flávia Bezerra Lima. “O mercado de trabalho oferece muitas profissões, mas o jovem não tem maturidade para definir qual caminho seguir”, diz a ex-aluna da instituição que acompanhou um grupo de alunos. O publicitário e jornalista José Roberto Whitaker Penteado é mais flexível em sua visão. “Ninguém decide nada para o resto de sua vida aos 17 anos - nem carreira, nem amores, nem preferências políticas e intelectuais”, assevera o autor de Cartas a um jovem indeciso. No livro, Whitaker defende a tese de que a indecisão, em todas as áreas, é uma condição enriquecedora da pós-modernidade.
Seja qual for a forma encontrada para os indecisos, informação profissional e orientação vocacional ocupacional ainda fazem parte do melhor conjunto de estratégias que valem a pena serem implementadas.
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